sexta-feira, 28 de junho de 2013

quase triunfal, quase marítima

minha poesia não é ode
estrofe, antítrofe e epodo
Píndaro ou Estesícoro

minha poesia não é hino
Píticas, Nemeias ou Ístmicas 
Alcman ou Anacreonte

minha poesia é o ínfimo
talvez o ócio de Horácio
ou a Lírica de João Mínimo

Assis Freitas

terça-feira, 4 de junho de 2013

Oração para artefatos da língua

Assis Freitas

a moça comeu o poema
e todo o silêncio
que ali dentro havia

a moça comeu rima
aliteração, prosódia
métrica, sinestesia

a moça comeu o poema
em todo sentido absoluto
eufemismo, anacoluto


In: "Poemas de Urgência para Súbitos Desalinhos". Editora Multifoco, 2012, p. 17.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Nós



No silencio da cumplicidade
somos parceiros da vida.
Nosso delito primeiro,
neste recanto seguro,
é recriar liberdade,
reinventando o escuro,
refazendo a poesia,
reformando o mundo.

No silêncio da cumplicidade
somos comparsas da vida.
Nosso complô mais forte,
neste oásis de orgias,
é gritar pela cidade
espantando a nostalgia,
libertando a liberdade,
soando tom de alforria,
reinventando o inventado,
rebrilhando o sol de cada d ia.

No silêncio da cumplicidade
somos irmãos companheiros.
Nosso invento mais lindo
é ter amor por inteiro.
Somos tão nós amarrados,
somos areia da praia,
brilhos do mesmo clarão,
e não sabemos ao certo
o que será solidão.

Desconheço a autoria

Cartão para Cristóvam Aguiar em 20/06/1996

terça-feira, 9 de abril de 2013

Ensaio sobre a morfologia do rubro e do coral

  Assis Freitas Filho

Você não entendeu meu gesto
Apontava aquela nuvem em sorriso
O mar que despontava nos dedos
Você não via as pétalas da manhã
Eu sei que caminhávamos destroços
Mas é assim o amor:
Esta sina de descrer verdades

segunda-feira, 25 de março de 2013

Paz

 Dora Incontri
Passeio pela noite em silêncio
E à paz já não falto.
As estrelas me chamam para o alto.
E o infinito se abre em mim.
 
Num canto do jardim
Recende um casto jasmim
E já as torpezas do mundo
Não gritam ao fundo.
Tudo se aquieta em mim.
 
Tudo está como deve ser
Tudo serve para entretecer
A teia calma do viver.
 
Caminham o vento, o perfume
As nuvens, a noite breve
E em toda parte há um lume
Uma verdade leve
Um bem que a alma descreve.
 
Dora Incontri é paulistana, nascida em 1962. Jornalista, educadora e escritora.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Oração para os santos verbos do dia




Que minha mão recolha o súbito
Que meu pé caminhe o instante
Que meu olho vislumbre o átimo
Que meu ouvido ecoe o iminente
Que meu corpo arda o inadiável
Que minha alma voe o imperioso

Que meu verso acate o inevitável

Assis Freitas
Poeta e escritor
(http://arvoredapoesia.blogspot.com.br/)

quinta-feira, 14 de março de 2013

A festa

 irresoluto,
refutei o lógico.
me despi do trágico,
mergulhei no mágico,
e entre dois pontos
duvivei.
e meu sorriso
feriu meu silêncio,
meu nojo, meu asco,
e vi que meu sangue
(sangue do teu sangue)
tem um gosto amargo.
e, saltibamco,
cavalguei roletas
-carrosséis de prótons -
de cavalos loucos
(carnaval de mágicos)
de valquírias ébrias
e em redemoinhos
comecei
de novo
a festa!
Outran Borges do livro A Verdade o tempo e outras mnentiras